‘Quando eu ficar mais velhinha, eu descanso’, diz Elza Soares, aos 80 anos

Quando eu ficar mais velhinha, eu descanso”, diz Elza Soares, aos 80 anos. Desde outubro de 2015, já fez mais de 60 shows na turnê a “Mulher do Fim do Mundo”, dentro e fora do país. Ao G1, a cantora falou sobre sua visão de mundo através de trechos de músicas do último álbum (veja abaixo e escute as canções).

“Não tenho o que fazer em casa. Se eu descanso, não tenho sucesso. Daí não tem show. Não tem nada. Tenho que aproveitar”.

No próximo domingo (20), a carioca desembarca em Florianópolispara se apresentar no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os ingressos custam entre R$ 88 e R$ 264.

Da capital catarinense, tem a lembrança de ser uma “terra gostosa” onde mantém grandes amigos, mas que não terá tempo para vê-los. “Vai ser só o show e tenho que voltar. Tô numa correria de louco”, reforça a cantora, acostumada com a rotina pesada, mesmo com pinos na coluna, que reduzem sua mobilidade.

Mulher do Fim do Mundo chega ao segundo ano de turnê (Foto: Charchar/Divulgação)

Das letras às atitudes

O G1 usou trechos de canções do álbum “Mulher do Fim do Mundo” para questionar Elza sobre sua visão de mundo. O leitor pode clicar nos links abaixo para ouvir as canções na íntegra.

Em “Maria de Vila Matilde”, a personagem principal conta que após ser agredida pelo companheiro vai denunciá-lo ao ‘ligar para o 180’. Elza diz que nunca teve que ligar para a polícia por violência doméstica, mas não foi por falta de vontade. “Ainda não liguei. Fui boba e não liguei não. Mas tô chamando outras pra ligar. E tem que ligar. Tenho certeza”.

Na canção “Pra Fuder” é narrada uma relação sexual. Entretanto, a expressão tem duas interpretações na gíria popular: algo que traz prazer ou revolta.

Elza conta que somente o que a revolta é ter que insistir em falar sobre assuntos que já deveriam ser resolvido. “Me revolta ainda ter que falar de preconceito, falar de homofobia, falar de droga”, disse. Apesar de não cantar no tempo livre, apenas enquanto está trabalhando, ela ainda acredita que o seu grande prazer é estar nos palcos. “Me dá um prazer imenso fazer esse show gostoso”.

Na faixa título “A Mulher do Fim do Mundo”, uma das estrófes diz: “meu choro não é nada além de carnaval”. “Essa frase é forte. Lógico, também serve para outras coisas, mas me representa muito”, afirma Elza, que na vida já passou por grandes perdas, como a morte de quatro de sete filhos e dois ex-maridos, incluindo Garrincha.

Em outro trecho da mesma música, ela diz “Me deixe cantar até o fim”. Elza reforça que não há machista, racista ou homofóbico que a pare e que quem a acompanha, a apoia. “Não tiveram coragem de me encarar [os preconceituosos]. Quem vai são as pessoas que gostam do show. São as pessoas que estão fazendo a luta”.

“Ninguém bota [responsabilidade] em cima de mim não. Eu tenho obrigação de falar. Tô com o microfone na mão eu tenho a obrigação de falar”.

 

Cantora carioca tem 80 anos (Foto: Charchar/Divulgação)

Sucesso fora do país

As idas e vindas puxadas também incluem uma turnê internacional, já que desde 2016 a versão em inglês do álbum, “The Woman of The End of the Wolrd”, tem tido destaque na Europa e nos Estados Unidos.

No último dia 5, ela atestou essa fama além-mar em Nova Iorque. “O show foi maravilhoso, graças a Deus. Público bom, o Central Park lotado. Lá tem muito brasileiro, mas acho que deu até mais americano que brasileiro”, acredita.

Projetos

No dia 4 de agosto, com a cantora Pitty, Elza lançou uma nova música, “Na Pele”. Apesar de ter sido escrita por Pitty, Elza toma como sua a canção. “Ela é minha convidada. Ela fez a música para eu gravar. Aí eu convidei para cantar comigo”.

No entanto, a música ainda não deve aperecer nos seus shows. “Por enquanto é esse show, ‘Mulher do Fim do Mundo’. Estamos focados nele”.

Elza também tem uma biografia sendo redigida por Zeca Camargo. Ela diz que a imagem que quer deixar é da sua luta de vida.

“Nunca parei pra desistir. Eu falei: não, jamais! Vamos lutar. E consegui”.

Sobre não ter previsão de novos discos, a cantora explica: “Já temos muitos projetos e pensamos: como é que a gente vai fazer outros projetos? ‘A Mulher Do Fim do Mundo’ está com esse sucessão todo, né? Para fazer um outro projeto tem que ter mais sucesso ainda. Ele é muito forte. Tá dando caldo, querida”.







Foto e link total de:http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/quando-eu-ficar-mais-velhinha-eu-descanso-diz-elza-soares-aos-80-anos.ghtml

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