Músico abre fábrica de discos de vinil em SP: “Um ato de resistência”

São Paulo ganhou uma fábrica de discos, no bairro da Barra Funda. A Vinil Brasil, ao lado da carioca Polysom, é a segunda empresa aberta no País, desde a retomada do formato a partir dos anos 2000.

O proprietário Michel Nath comemora o momento, apesar de ironizar os modismos passageiros.

— Muitos jovens estão descobrindo como é legal não só ouvir música, mas pegar o álbum, ler os encartes e curtir a arte das capas. Eu costumo brincar dizendo que é “a volta dos que não foram”, pois o vinil nunca deixou de existir. O formato só havia saído do primeiro plano e agora está retornando. Isso tem a ver com o fato das pessoas estarem buscando fatores mais tangíveis na vida.

“O vinil nunca deixou de existir”

Michel Nath

A fábrica faz LPs e compactos, em formatos menores
A fábrica faz LPs e compactos, em formatos menoresDivulgação

Em uma ação desafiadora, o músico virou empresário “empurrado” pelas dificuldades de lançar seu trabalho autoral em LP.

— Mais do que uma ideia ou tendência de mercado, eu tive a necessidade de fazer isso. Há três anos eu encomendei o vinil da minha banda (SolarSoul) na Europa e o material demorou nove meses para chegar aqui. Enquanto eu esperava, comecei a conversar com amigos sobre o que poderíamos fazer para melhorar a condição de fabricar discos de qualidade através de uma forma acessível para todos os brasileiros.

“Através da fábrica, estou cuidando do sonho de milhares de pessoas”

Michel Nath

Porém, a pesquisa informal de Michel não foi das melhores.

— Todo mundo colocou obstáculos dos mais variados. De uma maneira realista, o Brasil não tem mesmo nada que te estimule a montar uma fábrica de discos. Estamos passando por um momento instável, onde ser pequeno empresário aqui é uma loucura.

Mesmo assim, o produtor não resistiu ao sonho.

— Não era justo o País mais musical do mundo não ter seu próprio lugar para criar isso. A fábrica também surgiu da minha vontade de deixar um legado físico, cultural e musical para as futuras gerações.

O processo de montagem começou do zero, em 2014, quando Michel resgatou prensas da antiga gravadora Continental do ferro velho. Importar as máquinas ficava muito caro, então ele restaurou as raridades que, mesmo ficando 20 anos paradas, agora estão funcionando como novas.

O torno de corte é uma das relíquias da fábrica
O torno de corte é uma das relíquias da fábricaDivulgação

Depois de arrumar o maquinário, o produtor ouviu conselhos de técnicos experientes e convidou operadores para as devidas funções. Hoje, na equipe da Vinil Brasil, lendas da indústria fonográfica trabalham ao lado de novos talentos de várias áreas.

— Foi um longo processo até chegar nesse ponto, pois são inúmeras minúcias para fabricar um disco. Porém, mesmo com as dificuldades, estamos desenvolvendo tecnologias de produção tão boas e sofisticadas quanto os gringos.

O Ratos de Porão encomendou um box de compactos
O Ratos de Porão encomendou um box de compactosDivulgação

A Vinil Brasil faz todo o processo de criação do material, que consiste na própria peça, embalagem e produção gráfica. Dependendo da encomenda do cliente, o vinil pode sair dali pronto para a distribuição ou apenas em lote de LPs soltos. O preço também varia conforme esse pedido.

Atendendo uma demanda de todos os gêneros musicais, o proprietário ainda sonha em transformar a fábrica em selo fonográfico.

— No futuro, temos a intenção de licenciar catálogos e lançar discos pela Vinil Brasil. Tudo isso vai ajudar na preservação do nosso acervo, pois muitas cópias de álbuns brasileiros são raridades ou estão no exterior. Então, queremos resgatar isso da melhor maneira possível.

O PVC granulado é a matéria prima para fazer os discos
O PVC granulado é a matéria prima para fazer os discosDivulgação

Para Michel, o empreendimento é um exemplo de perseverança e faz parte da cultura nacional.

— A Vinil Brasil nasceu na contramão de muita coisa. É um ato de resistência. Estamos no sentido oposto do atual plano de mercado, político e econômico. Mas devemos dignificar a cultura que é feita em nosso País. Essa empresa tem uma missão e eu sou apenas o porta voz disso. Através da fábrica, estou cuidando dos sonhos de milhares de pessoas. 

Para saber mais sobre a Vinil Brasil: http://vinilbrasil.com.br

 

Fotos e link total de:https://diversao.r7.com/musico-abre-fabrica-de-discos-de-vinil-em-sp-um-ato-de-resistencia-24102017

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