qua. dez 12th, 2018

Ameba ‘comedora de cérebro’ já matou quase 200 pessoas no mundo

Ameba ‘comedora de cérebro’ já matou quase 200 pessoas no mundo

Recentemente, um homem americano de 29 anos faleceu em decorrência de uma infecção no cérebro causada por um micro-organismo raro, a Naegleria fowleri, conhecida como ameba “comedora de cérebro”. O caso chamou a atenção do mundo. Apesar de raro, o parasita é mortal: em todo o mundo, foram registrados cerca de 200 casos nos quais, a grande maioria dos pacientes, não apresentou resposta ao tratamento. Somente nos Estados Unidos, das 143 pessoas infectadas entre 1962 e 2017, apenas quatro sobreviveram, segundo informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês). 

De acordo com a rede americana CBS News, Fabrizio Stabile, a vítima de 29 anos, contraiu o parasita durante uma visita a um resort de surfe no centro do Texas. O estabelecimento está fechado até que os resultados dos testes para detecção da ameba sejam liberados.

No início do ano, um garoto argentino de 8 anos morreu uma semana depois de apresentar os sintomas iniciais da infecção pela N. fowleri. Na América do Sul, além da Argentina (com um caso), a Venezuela foi o único país a registrar casos da infecção (2) em humanos. No Brasil, é possível encontrar o parasita, mas até agora nenhum caso foi registrado em pessoas; em 2009, um bezerro morreu na Paraíba por causada da ameba.

Especialistas indicam que a infecção é mais comum em crianças e jovens, uma vez que estes grupos estão mais propensos a participarem de atividades em locais de risco. 

Contaminação

N. fowleri faz parte de um grupo chamado amebas de vida livre. É comumente encontrada em água morna e fresca, como lagos, rios e fontes termais. Isso acontece porque ela cresce melhor em temperaturas de até 46ºC, podendo sobreviver por períodos curtos em valores mais altos.

O micro-organismo entra no corpo através do nariz. A infecção pode levar a uma condição chamada meningoencefalite amebiana primária, que afeta o sistema nervoso central, levando a hemorragias e edemas quase sempre fatais. Por isso, as pessoas devem estar cientes do perigo — ainda que baixo — de adquirir o parasita ao frequentarem locais de risco. 

Para reduz a probabilidade de contaminação, é recomendado tampar o nariz com a mão ou usar grampos nasais ao entrar em lagos, rios e fontes termais, possíveis habitats da ameba. Surpreendentemente, se a água for engolida, o indivíduo não se infecta. Além disso, a ameba não é transmitida de pessoa para pessoa. 

Sintomas

Os sintomas comuns da infecção por N. fowleri incluem dor de cabeça frontal grave, febre, náusea e vômito, que surgem alguns dias depois da exposição à água contaminada. Sinais posteriores, como rigidez no pescoço, convulsões, estado mental alterado, alucinações e coma, também se manifestam. A morte ocorre entre o primeiro e o 18º dia após a manifestação dos sintomas.

Qualquer pessoa que perceba indícios da infecção — especialmente se nadou em água morna e fresca — deve procurar atendimento médico imediatamente. Os quatro sobreviventes americanos receberam diagnóstico precoce (no estágio inicial), o que não acontece com frequência. Além disso, substâncias experimentais têm mostrado resultados promissores no controle da infecção, mas somente em estudos laboratoriais.

Com:https://veja.abril.com.br/saude/ameba-comedora-de-cerebro-ja-matou-quase-200-pessoas-no-mundo/

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