Centro de reabilitação para sobreviventes da Kiss é modelo fora do país

Um serviço que vai ajudar ainda mais pessoas que são vítimas de acidentes com queimaduras. É com esse propósito que, no próximo mês, a chefe da Unidade de Reabilitação do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) e coordenadora do Centro Integrado de Atendimento às Vítimas de Acidentes (Ciava), Marisa Bastos Pereira, irá a Portugal, para mostrar o trabalho que foi criado para atender as vítimas do incêndio na boate Kiss, em 2013. Há dois meses, o grupo recebeu um pedido da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas para colaborar na assistência técnica de sobreviventes do desastre que ocorreu na cidade Pedrógão Grande, localizada a cerca de 200 km da capital Lisboa. 

Um incêndio na floresta matou 64 pessoas e deixou mais de 100 feridos. A maioria das pessoas teve lesão inalatória e queimadura de superfície corporal, semelhantes aos sobreviventes da tragédia na Kiss.Marisa explica que, durante uma semana, tempo em que ela ficará na Europa, será possível orientar os profissionais e avaliar o tratamento dos pacientes, mas tudo isso vai depender do planejamento que será feito em Portugal.

– Nós já mandamos os protocolos de assistência e capítulos de livros que foram publicados na área da fisioterapia. Daqui, vamos levar também palestras, imagens, mostrar como foram e estão sendo feitos os tratamentos, como se criou o centro e uma visão geral da nossa realidade. A nossa proposta é ir a campo com os sobreviventes, auxiliar na avaliação e no tratamento. Quem sabe, estabelecer também um contato mais próximo com a nossa equipe, aqui, para que possamos auxiliar da melhor forma possível lá – diz.

Em um primeiro momento, quem irá representar a equipe de Santa Maria será Marisa, mas, dependendo da demanda em Portugal, o trabalho poderá expandir-se para os outros profissionais do Ciava. As despesas da viagem vão ser custeadas pelo Husm e pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

RECONHECIMENTO
Essa não é a primeira vez que a unidade é solicitada para dar detalhamento sobre atendimento, socorro e tratamento a vítimas de tragédia. No ano passado, o Ciava “exportou” o modelo também para a¿Escola de Saúde Pública da França, que buscou informações de como funciona o serviço.¿

Foto: Gabriel Haesbaert / Newco DSM

A coordenadora do Ciava comenta, ainda, que os bons resultados, os profissionais qualificados, as pesquisas realizadas e os livros publicados fizeram com que o modelo integrado da equipe multiprofissional se tornasse referência nacional e internacional. Os pacientes recebem acompanhamento de 24 profissionais em diversas áreas, entre elas, pneumologia, otorrinolaringologia, psiquiatria, dermatologia, nutrição, farmácia, terapia ocupacional, serviço social, educação física, enfermagem, fonoaudiologia e fisioterapia. Além disso, o Ciava passou a adotar uma técnica da medicina chinesa, a Ventosa Terapia. O sistema a vácuo melhora a circulação e a flexibilidade da pele, acelerando a recuperação de pacientes com queimaduras graves.

– Com a tragédia da Kiss, eu comecei a estudar os efeitos fisiológicos que a técnica poderia causar, pois o principal problema do queimado é a aderência.  A Ventosa Terapia aumenta a circulação no músculo e tira as aderências que impedem o movimento. O foco é aumentar a elasticidade da pele para melhorar os movimentos. Nós já conseguimos evitar muitas cirurgias plásticas reparadoras utilizando essa técnica – salienta a fisioterapeuta Anna Ourique.

ATENDIMENTO
Desde a criação, o Ciava já prestou mais de 12 mil atendimentos. Dos mais de 600 feridos na tragédia da Kiss, pelo menos 356 sobreviventes do incêndio na casa noturna continuam em acompanhamento. Além disso, oito pessoas que também tiveram queimaduras estão em tratamento. Entre elas, a professora Lis Menezes, 41 anos, e o marido, o taxista André Luiz de Holanda, 39. Há quatro meses, o casal sofreu um acidente dentro de casa, na cidade de São Paulo, e, há um mês, deixaram a capital paulista para fazer tratamento em Santa Maria.

– Eu não sinto mais dor. Cheguei aqui sem conseguir fechar a mão e, agora, já posso notar que vou ter uma qualidade de vida melhor. O tratamento aqui é incrível, os profissionais são atenciosos e qualificados – conta Lis.

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Já André está sem caminhar desde que queimou as pernas. Ele fez enxerto há duas semanas e afirma que acertou quando escolheu vir para Santa Maria fazer o tratamento. 

  _ Aqui me senti acolhido neste momento em que estamos fragilizados. Sentia dor 24 horas por dia, e com o tratamento percebo a minha evolução e sei que vou voltar a caminhar graças aos profissionais daqui_ declara.

Foto: Gabriel Haesbaert / Newco DSM E-mailGoogle PlusTwitterFacebook

 

Foto e link total de:http://diariodesantamaria.clicrbs.com.br/rs/geral-policia/noticia/2017/08/centro-de-reabilitacao-para-sobreviventes-da-kiss-e-modelo-fora-do-pais-9879736.html

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